Desenvolvimento a todo gás

Desenvolvimento a todo gás

Após a chegada dos trens, o crescimento do Brás foi fortemente impulsionado. Exemplo disso foi a construção na região do primeiro gasômetro da cidade. A iluminação pública na cidade de São Paulo era feita com lampiões que queimavam azeite de peixe ou de mamona. Hidrogênio líquido e azeite resinoso fotogênico também foram algumas das matérias-primas testadas até que, em 1842, a iluminação pública a gás fosse regulamentada na cidade.

A história do Gasômetro do Brás começa em 1870, quando o engenheiro inglês William Ramsay desembarcou no Brasil em busca do local perfeito para as instalações da São Paulo Gas Company. O imóvel escolhido foi um situado entre as ruas da Figueira e Maria Domitila – estrategicamente posicionado próximo aos trilhos da São Paulo Railway e da Central do Brasil, que transportariam as matérias-primas indispensáveis para o funcionamento da futura usina de gás.

O gasômetro foi construído a partir de estruturas de aço importadas da Inglaterra e trazidas desmontadas em um navio até o Porto de Santos. De lá subiram a serra pelos trens da São Paulo Railway e iniciou-se a montagem, feita a partir de um diagrama com peças numeradas, em um processo considerado à época um símbolo da modernidade. O gasômetro iniciou as operações de forma experimental em janeiro de 1872 e, de forma definitiva, dois meses mais tarde.

A inauguração aconteceu para celebrar a volta de uma das viagens de Dom Pedro II. Inicialmente, o gasômetro armazenava e distribuía o gás hidrogênio carbonado produzido a partir da queima da hulha (que vinha do Reino Unido por navio), na Casa das Retortas.

Àquela época, São Paulo e suas freguesias contavam com apenas 31 mil habitantes, e o gasômetro abastecia 700 lampiões da iluminação pública e 174 residências (alimentando fogões e aquecedores). A partir do começo do século XX, a cidade vivenciou uma fase de grande expansão, e então a capacidade dos serviços de iluminação disponíveis se tornaram insuficientes.

Por conta disso, em 1901 a São Paulo Gas Company passou a ser responsável apenas pela iluminação residencial, enquanto a eletricidade co- meçou a ser utilizada na iluminação pública. Na década de 1930, os lampiões a gás foram definitivamente substituídos pela iluminação elétrica. Em 1937 a São Paulo Gas Company encerrou as atividades no país, e o imóvel do Gasômetro foi desapropriado e incorporado ao patrimônio da prefeitura.

Hoje o complexo é propriedade da Comgás, que mantém ali seu centro operacional. Os prédios são tombados pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado).

Continue acompanhando o blog da Alobrás para conhecer a história do Brás.

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